quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Dzi
que expressa a causalidade
na experiência dual,
existem apenas para o corpo
sucessivo e divisível.
Por isso Heráclito diz que:
Bem e Mal são um e o mesmo.
Asiah
Assim como Asiah é o cosmo, isto é,
o corpo manifesto, dos cabalistas,
para o Śrīmad Bhāgavatam, é o mesmo.
Assim o peregrino fatigado encontra
na raíz de seu caráter nômade
as recorrências que explicam a sua pessoa.
Os verdadeiros caminhos têm força própria.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Outro
sábado, 12 de dezembro de 2009
Arrebol
antes que se te acheguem
& antes que
& a taça de ouro se parta..."
desejam burlar as leis da física
na fricção incessante e sentida
A vantagem do corpo
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Hoje
o que tu comes
e eu te direi quem és.
Como vivo ciente
do fim trato de ter
o máximo com os valem
cada dia.
Que importa ser poliglota
(em conseguir citações),
a língua é uma vasta
estância de citações,
se quem não consegue
ser claro em português
é um néscio?
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Fluxismo
Vê como essa pobre palavra não a encerra.
Entre nome e coisa há incongruência e disjunção.
As coisas são indômitas e as palavras tentam colonizá-las.
sábado, 26 de setembro de 2009
Aforismos
I. Opiniões emanadas são apenas esforços insípidos de almas pobres com vistas à auto-afirmação.
II. Opiniões dadas sem a devida requisição corroboram a idéia de que o ego de alguns tenta expandir-se, em vão, para além de suas pobres cadeias corporais.
III. As mulheres que, sobre todas as ações significativas e os sucessos pequenos grandes ou justos de uma vida em força dirigida, insistem em afirmarem-se ‘senhoras’ de sua sexualidade esclarecida ou liberta, ou como dizem as mais temerárias, bem resolvidas (por onde se demonstra, inversamente, a cotidianidade e a repetição; projéteis - não realizadas), carecem de um consorte que as tirem de seu ensimesmado juízo.
IV. Aforismos são armas gastas em um combate solitário que, apesar dos maiores que o utilizaram, não são tão gerais ou têm a abrangência que sonham. Atingem tão somente as partes idiossincráticas ressaltadas da psique do próprio anunciador.
V. Não há comunicação direta entre almas, a não ser entre os olhos, e escrever é apenas um desejo de glória, postergada, porque muito pouco disto é acompanhado de grandes feitos, a única substância que, por acaso os salva do mesmo passo em que, de outro modo, ia o esquecimento.
VI. Solidão e sonho são duas palavras que têm apenas sentido subjetivo. Impregnam tão fundo e tão amplo forem o alcance da resolução de quem sonha só.
VII. Não há alma que nos esforços vãos e febris de datilógrafo não tenha deixado parte de si para trás em versos performativos e premeditados, nunca de todo realizáveis ou compreensíveis; e a frieza do espelho e o eco do que mais mortífero há para a imaginação, o engano da duplicidade.
VIII. O que realmente importa no universo, para além de nossa compreensão finita, é a configuração energética em sua complexão nem arbitrária nem idiossincrática.
IX. A verdade é tão simples quão ubíqua e redundante se repete por aí. Difícil mesmo é ter a força para corroborar o provérbio.
X. Todo provérbio tem seu brilho inicial ofuscado pela opacidade das almas que o repetem sem o compreender, acaba por torna-se mesmo, ao fim de sua carreira, sinal de pobreza de espírito e lugar-comum, porém morto.
XI. Nossa época, assim como a cultura da informação, aprecia o aforismo, eleita a preguiça em virtude, no imediatismo da obviedade e pela reflexão infinitesimal que sucita.
XII. Sempre desconfiei que quem fala muito sobre sexo, que quem sonha muito com sexo, não faz sexo.
XIII. Sexo, assim como a vida, é uma questão prática. Pensar em sexo é trocar os pés pelas mãos. O corpo precisa de treino, e a imaginação que o secunda é puro instinto, pois o corpo não pensa, mas antes de tudo, re-age.
XIV. Tristes os sem liberdade... Os que querem comprá-la, prodigamente, ao preço e através de suas descrenças seculares.