De que será que é mistério?
Ou de que é feito, em essência?
Ou de que é feito, em essência?
Penso sobre ele e, eis que se-me oculta
o que é que penso.
O antigo oráculo não diz, nem oculta,
dá sinais.
As vezes me inclino a negar-lhe a existência.
Contudo, isso seria afirmar o meu direito sobre ele.
Talvez o único mistério
seja haver quem pense no mistério.
Como disse, certa feita, o poeta,
para quem, o único mistério oculto das coisas
é não haver nelas mistério oculto nenhum.
Levanto o dedo e afirmo o por haver.
E entre duas pessoas o mistério se me afigura
agradável, na presença é doce e instigante,
na ausência, é triste e enfada.
De qualquer modo, o por haver é mais interessante
que o outro mistério, o da humanidade inteira.
Esse não me interessa.
Esse é triste como não haver sol no dia seguinte.
Deve-se dosar o mistério aos pequenos bocados.
Alguns são insolúveis como tem de ser.
Outros, os poucos que valhem a pena são simplificáveis.
Não quis dizer que são simples.
São apenas objeto de escolhas mais ou menos alheias.
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