sábado, 26 de setembro de 2009

Aforismos

I. Opiniões emanadas são apenas esforços insípidos de almas pobres com vistas à auto-afirmação.

II. Opiniões dadas sem a devida requisição corroboram a idéia de que o ego de alguns tenta expandir-se, em vão, para além de suas pobres cadeias corporais.

III. As mulheres que, sobre todas as ações significativas e os sucessos pequenos grandes ou justos de uma vida em força dirigida, insistem em afirmarem-se ‘senhoras’ de sua sexualidade esclarecida ou liberta, ou como dizem as mais temerárias, bem resolvidas (por onde se demonstra, inversamente, a cotidianidade e a repetição; projéteis - não realizadas), carecem de um consorte que as tirem de seu ensimesmado juízo.

IV. Aforismos são armas gastas em um combate solitário que, apesar dos maiores que o utilizaram, não são tão gerais ou têm a abrangência que sonham. Atingem tão somente as partes idiossincráticas ressaltadas da psique do próprio anunciador.

V. Não há comunicação direta entre almas, a não ser entre os olhos, e escrever é apenas um desejo de glória, postergada, porque muito pouco disto é acompanhado de grandes feitos, a única substância que, por acaso os salva do mesmo passo em que, de outro modo, ia o esquecimento.

VI. Solidão e sonho são duas palavras que têm apenas sentido subjetivo. Impregnam tão fundo e tão amplo forem o alcance da resolução de quem sonha só.

VII. Não há alma que nos esforços vãos e febris de datilógrafo não tenha deixado parte de si para trás em versos performativos e premeditados, nunca de todo realizáveis ou compreensíveis; e a frieza do espelho e o eco do que mais mortífero há para a imaginação, o engano da duplicidade.

VIII. O que realmente importa no universo, para além de nossa compreensão finita, é a configuração energética em sua complexão nem arbitrária nem idiossincrática.

IX. A verdade é tão simples quão ubíqua e redundante se repete por aí. Difícil mesmo é ter a força para corroborar o provérbio.

X. Todo provérbio tem seu brilho inicial ofuscado pela opacidade das almas que o repetem sem o compreender, acaba por torna-se mesmo, ao fim de sua carreira, sinal de pobreza de espírito e lugar-comum, porém morto.

XI. Nossa época, assim como a cultura da informação, aprecia o aforismo, eleita a preguiça em virtude, no imediatismo da obviedade e pela reflexão infinitesimal que sucita.

XII. Sempre desconfiei que quem fala muito sobre sexo, que quem sonha muito com sexo, não faz sexo.

XIII. Sexo, assim como a vida, é uma questão prática. Pensar em sexo é trocar os pés pelas mãos. O corpo precisa de treino, e a imaginação que o secunda é puro instinto, pois o corpo não pensa, mas antes de tudo, re-age.

XIV. Tristes os sem liberdade... Os que querem comprá-la, prodigamente, ao preço e através de suas descrenças seculares.

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