A propósito de uma foto do Grito dos Excluídos, postada pela amiga M. F.
O bom é sindicalizar e reunir mesmo em guildas ao invés de sindicatos, sem chefes, só os trabalhadores mesmo. Porque quem trabalha não pensa em direitos sociais como regalias. Quem trabalha é que deve saber o quão duro é vender um terço de sua vida a interesses alheios, e nunca são só as oito horas de jornada diária, mas uma lógica em que se perde todo o dia entre sair de casa e voltar para ela fatigado. Quem vive nessa situação compreende o que é um vencimento mínimo no qual é extorquido a cada dia, e que o trabalho nestas condições não paga nem a sobrevivência em uma cidade. É esse trabalhador que ganha um mínimo que constitui a grande massa de trabalhadores, a quem se quer retirar aposentadoria e todos os outros direitos, para entregar-lhes a situações como ter alguém de negociar aos 50 anos um emprego com um patrãozinho, já obsoleto para a grande máquina como é toda a tecnologia que o senhorzinho mercado lança a cada dia. É tanta coisa às avessas que se defende "o empreendedor", era empresário antes mais o nome ficou depreciado, e ao "gestor", porque político virou sinônimo de corrupto, o latifundiário grileiro e desmatador de florestas, ao político que o grande atravessador das transações financeiras, os grandes banqueiros, os privatizadores, e tudo aquilo que favorece a grande máquina às custas do que se aliena a vida. Quem precisa de capataz quando se tem a burguesia? O mercado não gosta da palavras governar ou coisa pública, prefere gestão da coisa alheia e bulevares a praças públicas, planos de saúde a saúde pública. Uma coisa posso dizer, se não houvesse SUS essa hora não estaria vivo. O burguês que quer ser atendido como patrão critica o funcionalismo público porque é arcaico e tem que pegar senha e o "funcionário" não entrega logo o que ele quer. Como querem que instituição qualquer funcione corretamente se de cima a baixo nós sabemos como funciona: o estado é um gerente de banco para o "agro" e a grande indústria, a religião é política, o lazer é o mercado, a "justiça" é a chancela do crime, e a sociedade civil atordoada pelas discursos essencialmente contraditórios da grande imprensa, dorme.
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