segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Alma

Se dos mares do mundo tua alma é refém,
se não suporta o deslinde de cada refrega,
não te mantenhas com esta face sôfrega,
pois o entristecer a natureza não convém.

Longa a noite do dia, largo o dia na noite.
Suave de doce a língua que fala da lira,
como grave e doloroso a ira feita açoite.
Porém, suaviza a vida o peso da morte.

Possa trinar o rouxinol e enternecer-te.
Não sei se tristeza ou de angústia rias
nas tardes sãs em tudo menos vazias.

Cólera ou melancolia dos ânimos cindia,
a eloqüência da chama simples dos dias,
como o bálsamo ou espada dupla é a via.

Um comentário:

  1. Meu caro, inspirada por tais versos eu posso dizer-te? Bem, direi...
    Como tentei em vão assassinar certos dias das noites...Como também tentei louvar as noites dos dias...De tudo isso, já fiz um contrário... também malogrado...

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