quarta-feira, 4 de março de 2009

Lógos

"Não de mim, mas do meu lógos..." - fr. 50.

Que a mente seja capaz de verter luz em som.

E que a cachoeira doirada escoe pela pedra tal um buril a torná-la redonda ao sabor do tempo. Que as palavras sejam fluídas, doces e amenas. E em certos casos, também salgadas, amargas, febris e barulhentas. Que corram na velocidade certa e não passem pelas plantas tão rápidas quanto aos peixes não se captem. Que a exalação úmida seja capaz de produzir música e a inspiração nunca lhe falte, assim como o ar circunstante continue a moldar-se ao pulmão a oxigenar-lhe através dos poros sendo sua qualidade perfeita sem carbono em demasia. Que a letra viva pelo sopro salte do papel afeito como a nobre carpa e na sua potência terapêutica não seja condenada à afasia sem efeito. Que no caldeirão vocal sejam quentes em seu feitio para que não congele o rio em sua concepção, ou antes. Que haja sol, vento e chuva, quando a chuva for necessária, e terra e nuvens, e que do leste ao oeste sempre siga o astro o seu curso, como o rio tem com o mar na sua origem desde que brota do chão e sulca a mãe o arado e suas estrias como suas veias tragam a lume o ouro e os diamantes destinados aos verdadeiros guias que não os queiram para si tão quão sejam sempre longânimes e equânimes no beneplácito, magnânimos e longevos. Assim queira a natureza rejubilar-se em suas obras tal o fim criador que lhe doou por sua própria vontade o primeiro movimento. Assim o devir não quis mais parar e soma a luzir miríades de eras atrás e a frente de almas, sejam úmidas ou secas, únicas em seus cursos, fadadas a não se repetirem até que sejam os próprios motores de seus devires.

Um comentário:

  1. Dispensa esse lógos por um instante, e saboreie os mistérios de Baco!
    Bem, acho que nem preciso pedir isso... De imediato, você tenta converter luz em som...
    "Que a mente seja capaz de verter luz em som"
    Sim, a mente o faz, porém, com mais poesia, apenas ao lado de certas forças báquicas...
    Oh Baco! Sempre estás conosco!
    Derruba essa luz...

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